Estreia da Coluna do Leitor ORT com Juliana Brandão (Julie)

E a estreia da Coluna do Leitor, mais esta novidade do Octeto que contará com a participação de vocês, leitores, é com Juliana Brandão, mais conhecida por todos nós, como Julie.

Devo dizer que amei o tema que ela escolheu para a nossa estreia! rsrsrs

UMA SINGELA HOMENAGEM AO REI – by Julie

Olá!

Para quem não me conhece, o meu nome é Juliana Brandão, mais conhecida como Julie. Tenho 37 anos, sou professora de Inglês e Português e também tradutora. Acompanho a Fórmula 1 há algum tempo, e me considero uma alonsista convicta. Mas hoje não vim aqui estrear a Coluna do Leitor ORT para falar do Alonso, o qual está curtindo as suas férias praticando trekking nos alpes italianos. Na estréia dessa coluna, venho fazer uma singela homenagem a um outro piloto, porque se não fosse por ele, provavelmente a minha torcida por Fernando Alonso não existiria.

Essa semana que passou foi bem movimentada no mundo do automobilismo brasileiro por causa da famosa Corrida do Milhão na Stock Car Brasil, mas o evento ganhou um holofote maior por causa da vinda do piloto canadense Jacques Villeneuve, convidado a participar dessa corrida. E é dele que falarei agora.

A primeira vez que ouvi falar no nome Villeneuve foi na minha infância por causa de meu pai, fã incondicional de Gille Villeneuve, o qual o definia como “um porra louca, mas arrojado e muito bom de braço”. Mas um trágico acidente tirou a vida desse piloto extraordinário, e somente uma imagem permaneceu em minha mente durante a reportagem na TV: a imagem de um garoto assustado, chocado com tudo o que acontecera – era Jacques Villeneuve, filho de Gilles. Eu, criança, pensava comigo: “Meu Deus, como deve estar sendo difícil para ele agora, perder o pai assim de uma maneira tão repentina!”

E o tempo passou. Tanto eu quanto Jacques seguimos com as nossas vidas. No meu caso, estudei, entrei na faculdade, mas, questão de destino ou não, nossos caminhos se cruzaram novamente em 1995, só que também por causa de outra tragédia, ocorrida comigo há um ano, com a morte do meu ídolo Ayrton Senna.

É muito cruel perder um ídolo. Fica vazia a vida da gente, a alegria se desfaz, dando lugar a uma tristeza sem tamanho. A magia em acordar cedo no domingo para assistir à Fórmula 1 já não existia mais, porque a nossa maior motivação já não está mais lá. Em compensação, são nos tempos difíceis que aparecem as pessoas especiais em nossas vidas, e eu os defino como os anjos. A primeira vez que deparei com o meu, ele comemorava a vitória das 500 milhas de Indianápolis tomando leite (?!), e rapidamente me veio a imagem do menino assustado que perdera o pai tempos atrás. O menino finalmente crescera e aquele momento trágico fora superado.

Era assim mesmo que via Jacques Villeneuve naquela época: um anjo. Só que mais moderno, excêntrico, até assim por dizer. Com cabelos coloridos, de fala mansa, mas com uma sinceridade sem tamanho. Em vez das asas, o anjo voava em um carro azul da Williams, fazendo mágica nos fins de semana. Apesar de carregar o famoso sobrenome do pai, não se prendia ao passado - era humilde, sem contar a rapidez e o talento puro, herança genética da família que nascera para o automobilismo, palavras essas ditas pelo saudoso Fittipaldi. E foi assim, dessa maneira autêntica que Jacques construiu sua história vitoriosa na Fórmula 1, sendo simplesmente ele mesmo.

Foi por meio de Jacques Villeneuve que voltei a assistir a F-1 do jeito de antigamente: uma torcedora apaixonada pelo esporte. Foi esse anjo excêntrico canadense que me ajudou a juntar e colar os cacos de meu coração de torcedora, abalado pela morte do Senna. No período de 95-97, Jacques me contagiou, trazendo a magia de volta às corridas, e me ensinando também que temos que superar as tragédias que aparecem em nossas vidas. Por mais que doa a perda, temos que seguir em frente. Foi ele, mesmo distante, que me trouxe de volta ao trilho da vida, e fez com que seguisse o meu caminho.

Além do mais, Jacques me mostrou que não podemos ficar presos ao passado, temos que estar sempre prontos para outros momentos mágicos da vida, e não podemos desperdiçá-los um minuto sequer, a começar por ter outros ídolos no esporte, e por que não no automobilismo? Superada a dor, e seguindo essa linha, hoje a minha paixão pelo esporte continua firme e forte, outro ídolo toma conta de meu coração, e por isso, serei eternamente grata a esse canadense tão especial!

Ontem, na Corrida do Milhão, em Interlagos, apesar da corrida morna, estava eu na frente da TV prestigiando o meu anjo, ou o rei do Octeto, como ele é aqui conhecido por aqui. Jacques pode não ter vencido a corrida, mas garanto que se divertiu bastante, e só por causa dessa razão é que valeu a pena vê-lo!

Com isso, em homenagem a esse momento tão mágico em minha vida, me despeço de vocês, deixando um trechinho da música Angel, de Sarah Mclachlan:


“(…)You’re in the arms of the angel/Maybe you’ll find some comfort here”

Super beijos a todos
Julie

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Julie, adorei o seu texto. Fico muito feliz em saber que Jacques é tão querido e tão presente na memória de tantos de nossos leitores. Não é à toa que ele é o nosso rei do Octeto.

Bom, para quem quiser escrever a coluna do mês de setembro, basta me enviar um e-mail. E não deixem de ler este post aqui, onde explico como funciona a Coluna do Leitor.

Beijinhos, Ludy

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