17 de outubro de 2017

Semana Kimi Räikkönen 2017: "21 de outubro de 2007 - Minhas lembranças"


"21 de outubro de 2007 - Minhas lembranças" by Ludy Coimbra

“Uma bandeira, um sentimento e um piloto” 

10 anos. Quando eu paro e penso em tudo o que vivi nesta última década após o título mundial de Kimi naquele dia 21 de outubro em Interlagos, meu sentimento é de gratidão. 

Quando a gente se dispõe a torcer por um piloto de F1, especialmente um que não veste as cores do nosso país, o caminho nem sempre é o mais fácil. Por mais louco que possa parecer, há no Brasil um pensamento de que se você não torce para um brasileiro na F1, você está contra o país. Nunca vi nada mais absurdo! 

F1 não é um esporte de países como o futebol. Temos pilotos e equipes. Quando escolhemos, não é a nacionalidade que importa (embora este possa ser um dos motivos para alguns, não é para mim). Vamos por talento, por carisma, por simples preferência, por qualquer outra coisa, não só baseado na cor da bandeira. 

E foi assim que Kimi Räikkönen surgiu em minha vida de torcedora, lá em 2005, disputando contra Fernando Alonso. Na época eu sofria em vê-lo naquela McLaren que por tantas e tantas vezes o deixou na mão, acompanhada daqueles motores Mercedes ainda mais falíveis. Naquele ano, 2005, Jacques Villeneuve ainda competia (piloto ao qual desde 1996 eu dedicava exclusivamente a minha torcida) e por culpa dele, quando Kimi surgiu em 2001, eu passei a ficar de olho no finlandês por conta das críticas do canadense contra a decisão da FIA em permitir um rapaz com apenas 23 corridas em competições de fórmula vir para F-1. 

Mas foi só em 2005 que o coração passou a bater mais forte quando Kimi entrava em um carro de F1. O ano mais lindo dele para mim na F1 sempre será este, lembro com o maior carinho do mundo. Apesar de toda a dor causada pelas derrotas, ele brilhou naquela temporada. Era o piloto que eu gostava na minha equipe preferida. 

Com a saída de Jacques em 2006, da forma mais cruel possível na F1 (no meio da temporada, substituído por Kubica na BMW/Sauber) eu fiquei “órfã” e na dor da ausência, Kimi preencheu o meu coração de torcedora. Coração este que em 22 de outubro assistiu pela primeira vez na vida a uma corrida de F1. E nunca mais foi a mesma. 

Passamos um ano para frente. Kimi disputando mais um título (já havia sido vice em 2003 contra Michael Schumacher e em 2005 contra Fernando Alonso), desta vez na equipe em que havia estreado naquela temporada, a Ferrari. Antes da corrida final, que seria no Brasil, tivemos aquela que para mim foi a prova que decidiu o campeonato, o GP da China. 

Na ocasião, do alto de sua soberba Ron Dennis declarou que a briga pelo título seria entre seus dois pilotos. Pois é, acho que melhor do que ninguém o chefe da equipe inglesa deveria ter feito um melhor julgamento do Iceman. Mas aí coube ao finlandês ensinar uma lição ao arrogante ex-dirigente da McLaren. E da China partimos para o Brasil, para o embate final. O tudo ou nada. E eu estaria lá. 

Eu lembro perfeitamente do frio que passei nos treinos de sexta-feira, no setor A de Interlagos, moletom, coberta em uma capa de chuva, suportando uma garoa fina e um vento que cortava a pele. No sábado já no setor B (quando ainda podíamos pagar por ele... hahaha) vi Kimi conquistar a terceira posição no grid de largada e naquele dia, saí de Interlagos com uma certeza no peito, Räikkönen seria campeão mundial. 

Domingo chegou. Amanhecemos em Interlagos. O sol começava a iluminar o circuito que mais uma vez coroaria um piloto campeão mundial de F1. Meu coração estava cada vez mais ansioso, embora minha fé continuasse forte. Lembro que do momento em que o desfile de pilotos aconteceu, até a largada, não arredei pé da grade. Em frente ao local onde eu havia colocado minha bandeira da Finlândia, de onde eu podia ver a posição de número 3, de onde Kimi largaria, lá eu fiquei. 

Vi Mark e ele se preparem, Jean Todt vir falar com seu piloto, vi David e Steve passarem para desejar uma boa corrida. Vi tudo, presenciei de perto cada segundo. Cada momento. Estava perto do Iceman no dia mais importante da carreira dele, como não pude estar com Jacques 10 anos antes (estava viajando no dia da corrida que fez de Villeneuve campeão mundial, só consegui ver a volta final). E nunca passei tanto nervoso depois que a largada foi dada. 

Do começo de corrida conservador de Kimi, dos erros de Hamilton, do momento em que o Iceman finalmente tomou a liderança, até o momento em que ele cruzou a linha de chegada e Chris Dyer finalmente confirmou que ele era o campeão mundial de F1 por um ponto, foram as 71 voltas mais longas que já passei. 

Lembro que houve um momento, faltando umas 10 voltas para acabar, meu coração batia tão forte, faltava tão pouco, que fui para o banheiro e lá fiquei por 3 voltas, não tinha coragem de ver o que aconteceria, com medo de que num simples piscar de olhos, aquele título que parecia finalmente estar chegando para Kimi, pudesse escapar novamente. Mas desta vez isto não aconteceria. Desta vez ele seria o melhor, o maior, o campeão. Tudo isto diante dos meus olhos. 

Olhos estes que não conseguiram ver o momento em que ele cruzou a linha de chegada porque estava nervosa demais. Acreditem! Hahaha... Olhos estes que não suportaram a emoção ao ouvir a voz de Chris via rádio ao avisar ao Iceman que ele era o campeão mundial. Olhos estes que viram o seu piloto favorito estacionar o carro e ser consagrado em meio a um mar vermelho de mecânicos. Olhos estes que brilharam de orgulho ao ouvir o hino da Finlândia e ver Räikkönen no lugar mais alto do pódio, como ele merecia. 

Por isto sou grata. Depois de uma década, ainda sinto a emoção daquele 21 de outubro em Interlagos. Ainda tenho aquela sensação de orgulho e alegria tomarem conta de mim. Eu sempre serei grata, porque poucos conseguem isto. E por mais que as coisas hoje não sejam como há 10 anos, eu ainda me sinto a mesma com relação à Kimi. A mesma Ludmila daquele domingo em Interlagos, abraçada a minha bandeira da Finlândia, com o sentimento de alegria transbordando porque finalmente, meu piloto favorito tornava-se campeão mundial de F1. 


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E assim eu encerro a Semana Kimi Räikkönen 2007. Espero que todos tenham curtido relembrar o ano em que finalmente, Kimi realizou o seu sonho.

Obrigada a Jaqueline, Eric, Levi, Saima, Eeva e Soledad por terem participado comigo. #obrigada #thankyou #gracias #kiitos

Mais uma vez, Feliz aniversário Kimi!!!!

Até 2018!!!

Beijinhos, Ludy

7 comentários:

Octeto Racing Team disse...

Irmãaaa!! O Kimi faz níver mas vc tb ganha parabéns!!! Mais uma SKR maravilhosa! Parabéns pela dedicação de sempre!!!

Bjusss, Tati

Eric Oliveira disse...

Nossa Ludy, que texto emocionante, sério!! É muito incrível ver, sentir um pouco que seja de cada sentimento demonstrado nessa SKR, cada um de uma forma diferente, deu pra sentir um pouco a emoção de cada um por conta desse dia, todas as lembranças voltam, que dia maravilhoso!! Independente da situação atual, Kimi nos deu muitas alegrias,e é daqui até o fim da carreira com certeza!! Mesmo dessa forma!! Mas uma vez parabéns!! ^^

Ps: Você falou da temporada de 2005, ontem eu finalmente consegui baixar o Gp do Japão de 2005 com a narração da globo!! Sério, eu me considerei até meio doido, porque eu assisti e torci como se tivesse sido a primeira vez. hahaha... Só não gritei como daquela vez, mas enfim. Foi incrível.

Bjo meninas. ^^

Octeto Racing Team disse...

Obrigada sister!!!! Só muito amor envolvido né? Você bem sabe como é!!!!

Obrigada Eric!!! Fico feliz que tenha curtido. Foi uma terapia esta SKR 2017, foi bom rever tantos momentos bons, relembrar que um dia fomos felizes né? Tudo vale a pena, se alma não é pequena. Como diria o mestre Fernando Pessoa!!! Aquele GP de 2005, pelo amor...obra prima de Kimi!!!

bjs, Ludy

Zé disse...

Ludy,

Você vai ao GP Brasil de F1 deste ano?
Eu vou pela segunda vez seguida graças a promoção Premmia da BR. Ao abastecer nos postos BR acumulo pontos que são trocados por ingresso para o setor D com direito a comida e bebida gratis, muito legal.

Abraços,

Octeto Racing Team disse...

Não Zé, não poderei ir, infelizmente. Bacana esta promoção!!!! ;)

bjs, Ludy

Manu disse...

Texto lindo Ludy, parabéns pelo bom trabalho e essa maravilhosa dedicação de sempre!
=*

Octeto Racing Team disse...

Obrigada Manu!!! ;) bjs

Ludy