14 de maio de 2017

Thomas e seu amigo Kimi

Do choro ao melhor dia da vida: a história de Thomas, o garoto que encantou a F1 no GP da Espanha

Uma cena encantou muito mais que o grande duelo entre Lewis Hamilton e Sebastian Vettel ou mesmo o olé do tetracampeão sobre Valtteri Bottas em Barcelona. O choro de um menino nas arquibancadas após o abandono de Kimi Räikkönen comoveu a F1 e chamou a atenção do mundo. Conheça a história do menino francês Thomas, de seis anos, que ajudou a humanizar um pouco mais a imagem da categoria

A F1 mudou, e isso ficou claro na primeira etapa da temporada na Europa, o GP da Espanha. E, entre tantos exemplos, houve um que chamou a atenção. Um ponto de incrível sensibilidade em meio ao ambiente outrora asséptico da categoria.

O protagonista da grande história do dia em Montmeló não foi Sebastian Vettel, Lewis Hamilton ou Fernando Alonso. Não foram os pneus médios ou macios; nem as estratégias de boxes.

O nome que deve ser guardado é o de Thomas, um garoto francês de 6 anos, louco pela Ferrari. Hoje, no dia em que Hamilton chegou à 55ª vitória na carreira, foi o pequeno torcedor que teve o dia mais feliz de sua vida.

Obra do acaso e dos olhos sensíveis do diretor de transmissão.

Thomas estava na arquibancada principal do circuito, ao lado da mãe, Coralice, uma fanática torcedora da equipe de Maranello, e do pai, Jourdain. Eles vieram de Amien, no norte da França, especialmente para o GP. Era o primeiro GP de todos em família - a mãe, fã da escuderia desde os tempos de Michael Schumacher, era a única que já tinha visto uma prova. O objetivo de todos era claro: torcer por Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel.

Mas foi num momento ruim para a equipe que Thomas surgiu. Quando Kimi Raikkonen abandonou a prova, logo depois da largada, após choque com Max Verstappen, o garoto – vestido de Ferrari de cima a baixo – começou a chorar. A imagem correu o mundo. Thomas já era uma estrela.

Pouco depois, quando Sebastian Vettel fez uma incrível ultrapassagem sobre Valtteri Bottas, as câmeras procuraram Thomas outra vez. O menino vibrava na arquibancada principal do Circuito da Catalunha. Na internet, começaram os pedidos por algo que seria impossível em outros dias. Thomas precisava ganhar um presente.

O presente veio em forma de um convite da Ferrari. E uma força-tarefa coordenada entre a equipe e a organização da prova, Thomas, seu pai e sua mãe foram chamados ao motorhome da Ferrari. Lá, ele conheceu Kimi Raikkonen, tirou fotos com o ídolo, pegou autógrafos em um boné – a mãe, responsável pela paixão que fez de seu filho um símbolo da nova F1, também fez todo o roteiro de fã, é claro.

Na saída do motorhome, já no fim da corrida enquanto Thomas era levado para os boxes da Ferrari – onde conheceria Sebastian Vettel – o GRANDE PRÊMIO conversou com a família. Extasiada com o mais improvável momento de todo o fim de semana, Coralice mal conseguia falar. “Eu sou muito, muito, muito fã. Viemos da França para ver a corrida. É incrível”. 

O pai explicou que, no início, ficou assustado. "Não falo inglês muito bem, e quando chegou um funcionário da Ferrari falando 'você, pegue tuas coisas e venha comigo', achei que tinha algum problema. Depois, só conseguia imaginar em quanto isso é incrível". Os três ganharam credenciais VIPs para circular pelo paddock até o fim do domingo. 

Thomas, a estrela do dia, também estava eufórico. "O Kimi me deu um autógrafo e fizemos fotos. Foi o melhor dia da minha vida. Agora, o Kimi é meu amigo!", comemorou o garoto, que nunca teve outra opção: no berço, o travesseiro já era da Ferrari. 

Demorou, mas a F1 parece ter percebido que, como todos os outros esportes, tem de ser feita de histórias e momentos inesquecíveis. Como os que viveram Thomas, sua mãe e todos os fãs da categoria neste domingo.

Fonte: Grande Prêmio 

Não é de hoje que a gente comenta aqui no Octeto que a F1 tem que se tornar humana novamente. O que vimos na Espanha neste domingo não seria feito na época de Ecclestone. Ele não se importava com o lado humano da F1, somente o financeiro.

Não estou dizendo que a Liberty se importe, mas estou afirmando que sim, ela pelo menos abriu as portas para que a categoria se liberte das amarras dos anos de "não pode isto e não pode aquilo de Ecclestone".

O que aconteceu pós-corrida com Thomas e sua família foi bacana porque aproxima a F1, seus pilotos e suas equipes, dos fãs, aqueles que amam o esporte, que como Thomas e sua família, viajaram de longe para ver uma prova.

Não os endinheirados que só estão lá para usufruir do luxo dos locais VIPs e apertar as mãos dos pilotos que provavelmente a maioria deles, sequer conhece.

Fico feliz de ver que pelo menos agora a F1, com todo o crédito para a Liberty Media, está finalmente se permitindo interagir de verdade com aqueles que a amam e a acompanham.

E desta vez eu vou parabenizar a Ferrari por ter ido atrás do pequeno Thomas. E obrigada Liberty Media por estar finalmente fazendo com que a F1 torne-se menos carrancuda, menos menos segregadora e mais inclusiva.

Para encerrar: "Agora, o Kimi é meu amigo"...



Beijinhos, Ludy

Um comentário:

Diógenes disse...

Só espero que a Ferrari se torne mais "humana" também. Eles que parem de sacanear o Raikkonen, senão o Thomas vai chorar até esses dirigentes ficarem surdos. kkkk .Torço por isso