10 de abril de 2017

Velocidade e Batom: "Exército de um homem só" by Ludy Coimbra


"Exército de um homem só" by Ludy

Eu sempre fui passional, em tudo na minha vida. E assim serei até meus últimos dias. Se esta postura me custar algo, paciência, terei que lidar com isto. A vida da gente é feita de escolhas e da forma como lidamos com as escolhas que fazemos. 

E por que começo falando sobre mim? Porque quando me tornei torcedora de Kimi este meu lado passional “bateu” de frente com a forma relaxada e “I don’t care” demais do piloto finlandês. E mesmo depois de 12 anos, eu ainda luto fortemente com esta diferença de approach que temos em encarar as coisas, ele sempre tão calmo com tudo e eu sempre muito estourada. Fico angustiada porque tento entender o lado dele, mas às custas da minha passionalidade. É um balanço complicado, confesso. 

O que me leva ao assunto que me fez escrever minha coluna “Velocidade e Batom” depois de tanto tempo: eu sou sim passional, mas não sou cega e graças a um jornalista que eu admiro e que escreve como um profissional das palavras deve fazê-lo (sem viés de torcedor), eu fico satisfeita em ver que minha linha análise de ontem sobre a corrida e os erros da Ferrari com Kimi durante a prova da China está certa. 

Para situá-los, neste link está todo o texto escrito por James Allen, jornalista inglês que cobre F1 há tempos, quem quiser ler, por favor, fique à vontade, é uma análise séria e argumentativa de toda a situação. E embasa perfeitamente meus comentários de ontem (link aqui). 

No que cabe a mim, quero destacar a seguinte parte. Fiz a tradução para que todos possam compreender. 

“O problema para a Ferrari é que o Mundial de Construtores não será decidido entre os pilotos líderes Hamilton e Vettel, será decidido entre Valtteri Bottas e Raikkonen. Eles precisam dele, o que por um lado você pode entender a mensagem de Marchionne aqui. Mas por outro lado, é cedo na temporada para chamar a atenção de um piloto e a Ferrari precisará de Raikkonen com o decorrer do ano. 

Falando à mídia italiana depois da corrida Marchionne disse, “Talvez nós precisamos sentar e discutir com Kimi, porque depois de hoje pareceu que ele tinha outras coisas na mente. Não era o dia dele. Ele estava cansado? 

O chefe de equipe Maurizio Arrivabene, que tem sido o maior protetor de Raikkonen dentro do time simplesmente acrescentou: “Ele estava falando muito no rádio hoje”. 

Raikkonen teve muitas reclamações sobre a performance do motor no rádio e especialmente na questão de fazer os pneus dianteiros funcionarem. Mais tarde na corrida, ele questionou a decisão de deixá-lo sem pit até a volta 39 antes de fazer a segunda parada. Não há dúvidas de que isto o custou a chance de um pódio e pareceu ter sido na tentativa de deixá-lo de fora para separar estratégias e envolvê-lo na ação da segunda para de Hamilton. 

Mas a Mercedes facilmente tinha isto resolvido e a atitude acabou sendo custosa para Raikkonen, porque ele passou muito tempo preso atrás de Ricciardo e seus pneus ficaram danificados, então ele não pode forçar ao ter pista livre quando os Red Bulls pararam. 

Interessamente Vettel parece ter sido capaz de seguir outros carros de perto e não ter danificado seus pneus, como vimos na China e em Melbourne. Pode ser uma combinação de pequena diferença de ajuste aerodinâmico para as duas Ferraris assim como um grau do fator piloto.” 

Pronto, tradução feita, vamos aos meus comentários. Eu, Ludmila, torcedora de Kimi Räikkönen há 12 anos, falei e repito, infelizmente, o finlandês é segundo piloto dentro da Scuderia Ferrari. James deixou isto claro no texto dele. Aliás, não apenas esclareceu como disse com todas as letras que a estratégia da equipe na China estragou a corrida de Kimi. Exatamente o que eu havia falado nos meus posts. 

E por mais que doa em mim (e eu falei isto na época), Kimi foi contratado para ser segundo piloto de luxo, eu sempre soube disto, mas pensei que de repente, não seria assim. O maior erro do Iceman? Ter aceito esta situação. O que ele poderia ter feito? Ele deveria ter se imposto como o campeão mundial de F1 que é, título este conquistado há quase 10 anos, o exato período de tempo que esta equipe pela qual ele corre não vence um Mundial de Pilotos. Ponto. 

Isto me fará deixar de torcer por Kimi? O fato dele ser segundo piloto? Não, porque eu simplesmente não consigo. Embora eu tenha fraquejado e pensado seriamente em deixar tudo para trás depois de ontem. Pensei em desistir de ir a Interlagos este ano, pensei em simplesmente deixar de seguir F1 porque eu estou cansada de ver a forma como desde 2008 a Ferrari trata Räikkönen, com tamanho desprezo e desrespeito. 

Mas então me lembrei que este jeito desleal de fazer F1 é algo enraizado nas tradições da Ferrari, que vem da escola de seu fundador, Enzo Ferrari, o homem que traiu Gilles Villeneuve naquilo que o canadense tinha como mais importante, a palavra de honra. Então decidi que não, não vou deixar de seguir Kimi nesta equipe. Vou continuar. 

Vou sofrer todas as corridas, vou me indignar por mim e por ele com a injustiça de vê-lo ser segundo piloto, quando tudo o que ele merecia era a igualdade de condições, algo que qualquer piloto merece porque favorecimentos são errados, não importa em que situação da vida eles aconteçam, são errados. 

Vou xingar, vou ficar irritada, vou querer quebrar Maranello, vou ficar chateada com as críticas, vai doer vê-lo colaborar em algo que jamais quiseram para ele ali dentro, que ele fosse campeão novamente. A Ferrari vai usar Kimi até os últimos dias e depois vai se desfazer dele, como fez em 2009. Talvez não o demitam até o final da temporada, talvez sim, mas para a Ferrari o finlandês é um meio para uma finalidade. 

E então eu vou esperar o final do ano, pelo meu dia de estar em Interlagos e poder me despedir do piloto que eu admiro. Eu não preciso que ele seja o preferido de ninguém, eu sei os motivos pelos quais comecei e continuo torcendo por ele. E eu nunca vou deixá-lo. Ele pode ser o exército de um homem só dentro de sua própria equipe, mas nunca estará sozinho aqui fora. E eu tenho certeza que falo por muitos de nós, torcedores do Iceman. Não importa o que aconteça, Kimi nunca está sozinho enquanto alguns de nós estivermos dispostos a sentir e brigar por ele. Aprendemos a ter Sisu graças a ele. Nunca desistiremos, mesmo contra todos. Never give up! 

Beijinhos, Ludy

4 comentários:

Nay Kimininolindo disse...

No seu texto só faltou um lugar para que eu pudesse assinar em baixo de tudo o que li.
Exatamente assim mesmo q me sinto tbem...
Bjos Ludy

by: Ilnay Souza

Eric Oliveira disse...

Realmente, nunca estará só. Ótimo texto. Parabéns, Ludy. Bjo meninas.

Diógenes disse...

Fique forte Ludy. Tudo vai dar certo, pelo menos alguns pódios para o Kimi , vão acontecer.

Octeto Racing Team disse...

Não tenho tanta certeza não Diógenes. Mas vamos esperar né?

bjs, Ludy