12 de março de 2017

Sobre Kimi, a paternidade e a busca pelo título

Mais mulher e filho, menos farra regada a muito álcool: Räikkönen muda de vida para tentar o bi 10 anos depois

O 'vencedor' da pré-temporada 2017 é um homem mais maduro. Kimi Räikkönen tem agora um Robin para criar. E a mudança na vida pessoal também afeta o que sempre gostou: a bebida. É o combo 'mais família menos álcool' que chega em 2017 em busca do segundo título da F1

Kimi Räikkönen mudou. Não é o que parece durante os poucos instantes de contato com a imprensa – durante os oito de testes em Barcelona, foram apenas duas entrevistas, de 10 minutos cada, sempre falando pouco, baixo e sem muita paciência –, mas quem acompanha mais de perto o finlandês da Ferrari não tem dúvidas: ele é outra pessoa.

Dono do tempo mais rápido da pré-temporada da F1 e apontado pelos mais apressados como um dos candidatos ao título do campeonato que começa na Austrália, no dia 25 deste mês, o campeão mundial de 2007 passou por uma metamorfose nas últimas temporadas.

A mudança, profunda, tem uma motivação mais do que lógica: Räikkönen, agora, dedica o tempo em que não está correndo à família. Desde janeiro de 2015, ele é pai de Robin, e sua esposa, Minttu Virtanen está grávida de um segundo filho. Todos estiveram em Barcelona durante a pré-temporada, acompanhando o piloto.

O nascimento de Robin foi, para pessoas próximas ao “Iceman”, o ponto de mudança. Antes do filho, ele e Minttu eram vistos com frequência em festas, quase sempre acompanhados de generosas quantidades de álcool. Depois do filho, Räikkönen diminuiu o ritmo, e as aparições públicas praticamente acabaram. Em agosto de 2016, ele e Minttu se casaram em Siena, na Itália.

“Räikkönen mudou muito nesses últimos anos. Agora ele é um pai de família, está mais concentrado em estar com seu filho... E praticamente deixou de ir a festas e de beber”, explica o jornalista finlandês Niki Juusela, narrador da F1 no país.

A imagem é bem diferente da que o piloto tinha há uma década, quando conquistou seu único título. Então, Räikkönen era visto como o “playboy” da F1. Uma reedição – guardadas todas as proporções – de seu grande ídolo, o inglês James Hunt, possivelmente o maior bon vivant que já passou pela categoria.

Naquela época, era comum que os tabloides ingleses publicassem fotos do piloto em casas noturnas, quase sempre em situações de embriaguez. O próprio Räikkönen contribuía para a fama, como na clássica imagem em que, alterado, cai de um iate e fica de ponta-cabeça.

Outros tempos. Daquela época, o que Räikkönen pretende resgatar na temporada de 2017 é o prazer em pilotar um carro que se adapte bem às suas características: os modelos deste ano serão mais rápidos, com mais aderência e menos desgaste de pneus; mais corrida e menos estratégia, como muitos definiram em Barcelona. 

Além disso, o carro da Ferrari animou o finlandês. “Acho que tudo foi bem positivo, o carro está correndo bem, os dois pilotos gostaram... A equipe fez um bom trabalho, preparou um carro confiável. Comparando com um ano atrás, foi muito melhor em muitas coisas”, disse. 

Dez anos depois, Räikkönen volta a estar na lista de candidatos ao título. E buscará um desfecho igual ao de 10 anos atrás; mesmo por um caminho tão diferente. 

Fonte: Grande Prêmio

Há meses não sei o que é entrar no site do Grande Prêmio para ler as notícias da F1. Mas hoje, esbarrei com esta "notícia" e resolvi comentá-la.

Para começar, não sei o que eu detesto mais neste texto. Tudo nele me irrita, então vou comentar cada uma das coisas e depois vocês tirem suas próprias conclusões.

1. Sobre a paternidade

O erro das pessoas que não são torcedores de Räikkönen, dos jornalistas, da turma em geral que não entende e não sabe nada do finlandês, é achar que o conhecem exatamente por terem acompanhado muito do estilo fanfarrão que ele um dia exibiu.

Sim, é verdade que hoje em dia o Iceman é muito mais família, que a paternidade e o casamento deram a ele uma tranquilidade e uma nova postura, mas isto é natural ao desenvolvimento de QUALQUER homem deste mundo que passe pelo processo de achar a mulher com que vai criar uma família. 

Alguns homens já são por natureza mais responsáveis e a chegada da paternidade e do casamento apenas complementam isto. Outros, como Kimi, acabam sofrendo uma mudança maior porque ainda não tinham tal postura. Isto não é uma crítica, é apenas uma constatação.

O Iceman sempre foi do tipo de "viver a vida como se ela fosse acabar no dia seguinte", o casamento e a paternidade trouxeram a ele uma tranquilidade sim, mas JAMAIS podem ser apontadas como as causas responsáveis por fazer dele mais focado em ser campeão. Ele sempre teve isto dentro de si.

Kimi vem há tempos diminuindo o ritmo da farra. Mas os sabichões da imprensa não sabem disto porque NÃO acompanham a carreira e a vida do finlandês como seus torcedores, então eles apenas focam naquilo que querem. A mídia sequer lembra de Kimi, ele só existe para ela para ser motivo de piada, se tiver um rádio engraçado durante uma corrida ou se aparecer com uma garrafa na mão. Daí é manchete na certa.

2. Sobre a bebiba.

Quem conhece um pouco da Finlândia sabe que o álcool lá é coisa séria. Sim, eles curtem beber, mas a verdade é que há um estereótipo pelo qual o país é reconhecido ao redor do mundo: "É finlandês, deve ser pinguço". Eles mesmos se sacaneiam com isto, mas para quem apenas vê de fora, que não se interessa em ver além, vai propagar a repetição do estereótipo acima. O que não é certo.

Não estou aqui dizendo que é certo encher a cara até cair (embora isto seja uma escolha de cada um), mas o que Kimi fazia com mais frequência com os amigos nunca foi da conta de ninguém. E a imprensa apenas se importava (e ainda se importa) porque dava (dá) cliques e audiência. 

Se hoje ele faz isto menos, posso citar dois motivos: ele está mais maduro, mais experiente, naturalmente o ritmo de vida de quando era garoto não permite tantas extravagâncias, especialmente porque ele precisa estar em forma para o trabalho de piloto. E para os padrões da F1, ele não é mais um garoto, precisa se cuidar. E segundo, sim, ele tornou-se um pai de família, então o tempo com os amigos acaba diminuindo naturalmente, mas ele ainda se reúne com a galera e sim, ele bebe. Algo natural quando você está com seus amigos.

3. Sobre brigar pelo título.

Um comportamento que eu noto desde que Kimi foi campeão, é a forma como todos aqueles que não são seus torcedores o veem como piloto. Há aqueles que admiram, os que o detestam, os que o acham um piloto mediano ou os que o vêem apenas um cara engraçado.

Tirando aqueles que o admiram (torcedores como eu, ou apenas gente que curte corridas e acham Kimi um piloto talentoso), a maioria pesada das pessoas sequer respeita Kimi como campeão do mundo, sequer o consideram para concorrente ao título ano após ano, estão sempre o diminuindo, o excluindo como um candidato a lutar por vitórias e título.

A maioria das pessoas não leva o piloto finlandês à sério, não o respeita e o trecho a seguir comprova o que eu falo: "e apontado pelos mais apressados como um dos candidatos ao título do campeonato que começa na Austrália..."

Por que aprontar um cara que é campeão mundial de F1 (e de talento comprovado) como um dos possíveis candidatos ao título é algo apressado para Kimi e não para os outros? Ele é sim candidato, fez por merecer ser um daqueles que sempre devem ser considerados porque figura entre os que já venceram um dia. Coisa que pouquíssimos alcançaram.

Esta postura eu vejo constantemente entre torcedores de outros pilotos, na mídia, dentro da própria F-1. Eles não respeitam Kimi como campeão do mundo, como o cara que lutou para conquistar o campeonato que tem. A maioria das pessoas vê Kimi como aquele que ganhou o mundial que Alonso e Hamilton perderam, ou porque Massa deu a ele. Uma ova!!! Kimi venceu mais do que todos naquele ano, ele lutou por cada um dos 110 pontos conquistados.

Mas na F1 você não é digno de respeito se vence apenas uma vez. Ou se você não é o queridinho da mídia. Ou se você simplesmente não é puxa-saco da imprensa. Na F1 você precisa se encaixar em algum estereótipo para que eles te considerem positivamente. E Kimi para eles é apenas o piloto das respostas curtas e grossas, que não fala muito e que gosta de encher a cara.

Para encerrar, não estou aqui para fazer ninguém gostar de Kimi Räikkönen, cada um é dono de sua própria opinião, só que a F1, a mídia e muitos torcedores de automobilismo sequer fazem um esforço para ver além do que lhes é dado.

Kimi não é só um cara que gosta de encher a cara, dar respostas grossas aos jornalistas ou soltar frases engraçadas via rádio. Ele é um excelente piloto de F1, um cara que luta de forma limpa e justa dentro e fora das pistas. E acima disto tudo, é um homem normal que curte sair com os amigos e agora, apreciar a linda família que está criando com sua esposa.

As pessoas precisam apenas aprender a enxergar com os próprios olhos e a partir daí tirar suas próprias conclusões.

Beijinhos, Ludy

2 comentários:

arthur disse...

É por isso que cada vez menos estou acompanhando notícias de F1... a hipocrisia deles em dizer que são imparciais cada vez mais me revolta. Hoje acompanho praticamente tudo em blogs, e quando vou para sites é apenas quando tem um artigo ou outro que possa despertar interesse.

Octeto Racing Team disse...

Eu parei com o Grande Prêmio. Nem entro mais lá. Mas não dá para escapar muito, só acesso um para poder postar aqui no Octeto. Minha fonte de informação da F1 é toda estrangeira, selecionei alguns e pronto, porque lá fora também tem aqueles que se julgam imparciais, mas não são.

Ludy