27 de outubro de 2016

Coluna: "O que elas pensam?" by Ludy


"Elas não podem..." by Ludy Coimbra

Não é fácil ser mulher e gostar de automobilismo. Estou nesta brincadeira de acompanhar corridas de F1 (e desde 2010 o WRC) há muitos anos e ainda assim, mesmo com tantas temporadas assistidas, GPs do Brasil presenciados, comentários em diversas redes sociais e papos entre amigos ou conhecidos, sempre há aquela pergunta: “Nossa, mas você é mulher, como pode gostar de automobilismo?” 

Eu confesso que atualmente tenho preguiça de explicar os motivos que me levam a amar automobilismo, a acordar nas manhãs de domingo, a me irritar com o caminho atual da F1, ou a curtir rali. 

Não adianta! Nada do que eu possa escrever ou explicar aqui ou pessoalmente, vai mudar o preconceito de quem assim pensa. Na cabeça desta pessoa (sim, sem gênero definido, porque já ouvi isto da boca de homens e mulheres) o fato de eu, uma mulher, curtir automobilismo é incompreensível. 

Onde já se viu uma moça gostar do barulho dos motores, da adrenalina sufocante de uma largada, da tensão empolgante de uma ultrapassagem em plena Eau Rouge, da emoção de ver sua equipe e/ou piloto favorito venceram uma prova, da beleza de um evento disputado nas estradas da Finlândia ou nas ruas de Mônaco, do êxtase de estar em um autódromo e vivenciar seu esporte favorito ao vivo, do orgulho de ver o piloto pelo qual você torce sagrar-se campeão mundial na F1 ou no WRC, da emoção que só a bandeira quadriculada pode trazer e que somente o hino nacional na hora do pódio pode proporcionar. Onde já se viu uma mulher se emocionar com tudo isto não é mesmo? 

Pois é, se alguém puder me explicar o motivo pelo qual somente os homens podem gostar de automobilismo e passarem por todas estas emoções, e nós mulheres não, por favor, me explique. Já que infelizmente, mesmo curtindo automobilismo há tantos anos, tendo visto meus pilotos favoritos serem campeões, vivenciado GPs in loco, passado por experiências incríveis no mundo das corridas, vistos trocentas provas pela TV, aprendido a amar uma nova categoria (o WRC), ter um blog sobre F1 há quase 9 anos, nada disto me coloca em pé de igualdade com o sexo masculino. 

Porque o “ela é mulher e não pode curtir automobilismo, ou ela só torce pelo piloto porque ele é bonito” estará sempre lá para me mostrar o quão misógino e preconceituoso é o mundo. Seja no esporte ou na vida. 

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Beijinhos, Ludy

Um comentário:

Anônimo disse...

Fantástico! É por isso que tenho orgulho das minhas filhas. São felizes e livres para amar as coisas boas da vida sem preconceito.

bjs, Maria Helena (Mãe Coruja)