20 de fevereiro de 2016

O risco

Ricciardo recorda tristeza por morte de Bianchi e fala de percepção após tragédia: “Estamos todos arriscando nossas vidas”

Daniel Ricciardo lembrou como nada podia prepara-lo para fazer parte da morte de Jules Bianchi. Nem acompanhar quando criança os acidentes fatais de Ayrton Senna e Dale Earnhardt podiam, apesar de terem sido pilotos que gostava de assistir. Mas logo depois percebeu o risco que corre nos carros da F1

Sete meses já se passaram desde a morte de Jules Bianchi, e agora alguns pilotos começam a se abrir mais sobre a reação na sequência do anúncio da tragédia que começou ainda em outubro de 2014. Daniel Ricciardo lembrou da sensação de participar da primeira morte por acidente num evento oficial da F1 em mais de 20 anos.

Em entrevista à versão australiana da rede de TV Fox Sports, Ricciardo contou como o passado e a infância acompanhando automobilismo pesaram com a morte de grandes pilotos e sua época, como Ayrton Senna, em 1994, e Dale Earnhardt, em 2001, mas nada que preparasse para o que aconteceu com Bianchi.

"Eu acompanhei pilotos que morreram no passado, quando eu era criança. Senna foi um herói; Earnhardt foi um herói. Eles perderam suas vidas correndo. Eu fiquei muito emocionado e chateado, mas não estava lá. Eu não era parte daquilo", disse. 

"Eu acho que foi mais diferente do que pensei, ser parte da corrida em que Jules estava. Conhecê-lo. Acertou mais em cheio", avaliou. 

A reação, no entanto, é algo que parece normal apenas para pilotos de carros de corrida. Na corrida seguinte, apenas alguns dias depois, o GP da Hungria, a vontade de Daniel era aproveitar a chance que tinha num carro de F1. Correr de forma plena, sem se segurar, já que de qualquer forma os pilotos que ali estavam se encontravam desafiando a morte. 

"Foi emocional para todos, com certeza. Mas me fez perceber - especialmente quando chegamos a Budapeste - que estávamos todos lá, todos arriscando nossas vidas para estar lá e correr'", lembrou. "Então, para mim, se eu for entrar nesse carro, vou fazer direito. Não faço pela metade. Tiro o máximo possível da oportunidade que eu tenho", contou o piloto. 

Lá, Ricciardo conseguiu o que foi seu primeiro pódio do ano - e o que ele considera seu melhor desempenho, apesar de ter sido segundo em Cingapura. "Fiquei realmente feliz com aquele final de semana porque senti que deixei tudo na pista. É assim que quero correr. É assim que quero sair todas as corridas: sentindo que fiz o máximo possível", encerrou o australiano. 

Fonte: Grande Prêmio 

A morte de Senna já havia me marcado horrores, por motivos óbvios, eu era torcedora do brasileiro, ele fazia parte da minha rotina de domingo, da minha história como fã de automobilismo e até hoje sinto uma dor no peito ao falar sobre isto. Nunca vou superar esta ausência, esta saudade.

Com Jules foi algo diferente, mas tão intenso que me marcou muito. Eu fiquei tão chocada que não dormi naquele domingo desde o momento da batida dele, lembro do meu desespero por notícias, como se eu sentisse que o pior havia acontecido. Não foi fácil. E eu estava de longe, sofri apenas como torcedora de F1. Fico imaginando os pilotos e família de Jules. Um menino tão novo e com uma carreira toda pela frente. É de cortar o coração.

E então Ricciardo fala sobre o assunto, expõe seu ponto de vista e eu entendo a necessidade do correr e provar a si mesmo, mas ao mesmo tempo me preocupo por eles todos ali naquele grid. Eu sei que amamos automobilismo, que somos torcedores e eles os donos do espetáculo que não pode parar, mas quando estas coisas acontecem é que nos damos contas que no final das contas, somos todos humanos.

Beijinhos, Ludy

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