17 de novembro de 2015

Brasil precisa de um herói local, diz Vettel

Vettel observa queda de público no GP do Brasil e afirma: “Um lugar assim precisa de um herói local”

Sebastian Vettel falou sobre o entusiasmo do público brasileiro ao longo do fim de semana e traçou um paralelo com o que viu há pouco mais de duas semanas no México e, ainda que não tivesse visto as arquibancadas lotadas, destacou a empolgação vista em São Paulo como fator motivador. Entretanto, o tetracampeão entende que o Brasil precisa de um novo herói

Sempre que a F1 desembarca na América Latina, os pilotos costumam falar sobre o entusiasmo e a empolgação com que o esporte é visto por aqui. Tanto no México, onde o público proporcionou ao Autódromo Hermanos Rodríguez um espetáculo digno dos estádios de futebol, como também no Brasil, o calor humano é considerado como grande atração por parte de quem faz o show. Mas ao menos no caso do GP do Brasil, Sebastian Vettel entende que falta ao país a figura de um herói local para atrair público e lotar as arquibancadas.

Embora a organização do GP do Brasil tenha registrado mais de 136 mil pessoas no fim de semana, um aumento de público em relação à edição do ano passado, o fato é que a corrida foi um marco negativo na história porque, pela primeira vez, ficou em segundo lugar na audiência da TV aberta por aqui, com a Rede Globo ficando atrás dos programas da Record no mesmo horário de uma disputa nada empolgante no circuito paulistano no último domingo.

O tetracampeão do mundo salientou que parte do setor destinado aos espectadores não estava cheio. De fato, mesmo no Setor G, o mais popular de Interlagos, não havia lotação máxima. Felipe Massa e o xará Felipe Nasr, que representaram o Brasil no grid, tiveram uma jornada bastante complicada. Massa ainda pontuou, mas acabou sendo excluído da corrida pela direção de prova. O novato, que fez sua primeira corrida de F1 em Interlagos, chegou em 13º.

Logo depois do término da corrida, durante entrevista coletiva promovida pela FIA em Interlagos, Vettel falou sobre como vê a empolgação do público brasileiro e da evolução do evento em si, mas salientou a necessidade do Brasil em voltar a ter um herói local porque “o esporte por aqui está sofrendo porque as arquibancadas não estavam lotadas”.

“Bem, acredito que [o Brasil] é um grande lugar para vir. Parece que melhora a cada ano. Em princípio, quando eu era jovem, ficava um pouco assustado pelo tamanho da cidade, 20 milhões de pessoas. De onde venho há 25 mil e já pensava que era um lugar muito grande. Eles nos tratam de cara como super-heróis e é bacana ver a paixão pelas corridas, pelo esporte”, elogiou o alemão. 

“Há uma grande quantidade de bandeiras ao redor da pista, bandeiras da Ferrari, bandeiras alemãs, bandeiras inglesas. Obviamente, um lugar assim precisa de um herói local, porque seria ainda melhor se um brasileiro estivesse lutando pelo pódio, mas o principal é que acho que esta é uma das melhores corridas que nós temos. Não há discussão sobre como o esporte por aqui está sofrendo porque as arquibancadas não estavam lotadas, e ainda que não estivessem lotadas, o público cria uma atmosfera e é isso que torna este dia especial”, elogiou. 

Vettel se mostrou bastante satisfeito por ter a chance de correr novamente diante de um público tão empolgado. Sobretudo no México, a F1 se viu diante de uma situação nova, com uma torcida empolgada como há tempos não se via, algo que foi elogiado por vários pilotos e dirigentes. Niki Lauda, por exemplo, disse que foi sua maior experiência na F1. Para o tetracampeão, o GP do Brasil, mesmo sem a figura do herói local, não fica atrás. 

“Eles tiveram um bom momento e eles curtiram estar aqui, como nós vimos no México, talvez isso é uma coisa da América Latina. As pessoas são muito entusiasmadas. Obviamente, faz com que nosso dia seja bastante agradável quando gritam nossos nomes, quando estamos no grid, nos desejando sorte. É bem legal”, finalizou.

Fonte: Grande Prêmio

A verdade é que além de um herói local (para animar aqueles brasileiros que não sabem torcer sem ter um cara que esteja vencendo) o automobilismo nacional precisa de um rumo Vettel. As coisas por aqui andam muito complicadas, vão além de apenas representantes. Estamos sem rumo, os pilotos iniciantes têm pouquíssimas oportunidades de criar seus caminhos até à Fórmula 1, por exemplo, a não ser que tenha muito dinheiro para morar e competir fora do país.

Mas gosto de ler coisas assim, poder ver um pouquinho como os pilotos veem vir correr aqui em Interlagos. Definitivamente concordo com Vettel sobre a nossa paixão pelo esporte, pelo nosso apoio aos pilotos e pela nossa pista proporcionar sempre uma das melhores corridas dentro da temporada. Pena que infelizmente este ano, a prova tenha sido tão chatinha.

Beijinhos, Ludy

Um comentário:

Ester disse...

Não sei se o Vettel foi totalmente sincero. Lembram quando havia a Primavera Árabe no Bahrein, a corrida foi cancelada, e o Vettel falou que havia outros lugares que eles também não gostavam de estar, como São Paulo? Ou será que ele mudou de opinião?