"Kimi e Lotus foi épico porque..." by Manu Gomes
"Kimi e Lotus foi épico porque..." by Manu Gomes
Eis um título incrível para homenagem. Sim, a parceria Kimi mais Lotus está sendo épica. Por muitas e muitas razões, desde vitórias, pódios, brincadeiras, momentos descontraídos beirando ao natural. São dois anos que ficarão marcados para sempre na nossa trajetória como seguidores de Kimi Räikkönen.
Digo tudo isso, pois ano que vem é um retorno a algo que já sabemos que possivelmente será muito mais engessado, bem menos natural e bem, bem mais tenso. São coisas da vida, sabemos que mesmo contra nossa vontade é sempre bom manter a esperança.
Vou fazer um adendo sobre essa “esperança”, pois acho que tem tudo a ver com o que quero com essa pequena homenagem à estada de Kimi na Lotus. Mesmo com a saída da equipe, e a decisão de um retorno à Ferrari é algo que, mesmo que muitos (alguns nem tanto) se esforcem ainda para entender e talvez não se conformem (os que verdadeiramente sabem o que foi Kimi na equipe Maranello e o que achamos que vai ser, nessa segunda vez, serão os que mais se identificarão com essa passagem), mas é preciso ainda “esperançar”. Explico: quando Kimi retornou à F1, depois de uma estada frutífera no WRC, todas as dúvidas pairavam sob seu desempenho depois de dois anos de pausa, e nós ferrenhos torcedores, já sabíamos que a dúvida não era essa (afinal, conhecemos o talento do cara que torcemos). Nossa dúvida pairava sob a escolha, sob as relações Kimi e equipe, praticamente nova, ainda meio verde, mas promissora. Fomos seguramente, muito felizes, o casamento foi além de todas as nossas melhores expectativas. Não “esperançávamos” e sim “esperávamos” por bons resultados. Nesse caso, estou pensando em algo que Mario Sérgio Cortella, filósofo da PUC, citou, com propriedade, em mais de uma de suas obras (uma delas em “Não nascemos prontos”) sobre esse ato de “esperançar” que ele resgata de seu velho conhecido Paulo Freire. Freire dizia: “É preciso ter esperança. Mas tem que ser esperança do verbo esperançar.” Há quem diz ter esperança com a reflexão ou projeção de sentir que deve “esperar”: “Espero que dê certo”; “Espero que volte logo...”, “Espero que melhore ou que funcione; que resolva; que saiba o que está fazendo; que está no caminho certo; que eu ganhe algo com isso...” e etc. Já “esperançar” é ir atrás, é não desistir, é fazer com que dê certo; é, acima de tudo, não se abater e não perder a fé naquilo que a gente acredita ser necessário para nossa felicidade. E isso não vale só para esse caso, como para todas as ações de nossa vida. É de pouquinhos de felicidades que se alcança aquela que é plena.
De certa forma, é assim que tenho enxergado a razão pela qual Kimi ainda assim topou a saída da Lotus e a mudança para uma segunda vez na Ferrari. Foi o mesmo caso quando decidiu voltar à F1 para a Lotus. Ele queria algo mais e achou no caso, chances de retorno e decidir-se pelo desafio do retorno.
Teorias e teorias se descarregarão sob nós aos montes a respeito da decisão para 2014. Algumas sim foram fatores determinantes. O que não ouviremos ou veremos alguém palpitar será a condição de um atleta, de um esportista qualquer. Räikkönen como um destes, fez uma escolha baseada no desafio, no colocar-se a prova, no tentar... No “esperançar”.
Essa é a forma como vejo tudo isso. Problemas estão aí, não devem ser deixados de lado. E mesmo assim, é preciso seguir adiante e como ele, ter esperança de que tudo será de alguma forma lucrativa. Se estivermos com nossos pensamentos focados nessa perspectiva, assim como estivemos quando ele apareceu novamente na categoria da F1 em 2012 com a Lotus, é mesmo uma opção.
Na combinação Lotus + Räikkönen tivemos um resultado de agradabilíssima surpresa. Com essa equação, hoje a equipe alcançou um patamar esportivo gratificante, um patamar de popularidade incrível, e o carinho de muita gente (como eu, por exemplo) por essa equipe, que em meio a tudo, esteve em quase dois anos uma aposta em Kimi e uma saudável relação muito empolgante.
Sim, há uns probleminhas, mas sinceramente não acho que são gigantes, são normais. Nem com isso, deixamos de ter belas imagens de uma equipe sorridente com um pódio, ou fotos pós GPs, as piadinhas via Twitter... O bom humor - que hoje é tão raro na F1 (daqui uns tempos, anotem, é provável que tenha investigação da FIA para esses momentos de humor espontâneo!! ¬¬’) – foi essencial para atrair a minha atenção para a Lotus, que em tempo nunca tive uma equipe favorita, mas acabei me rendendo àquele pessoal espirituoso.
A minha homenagem a esses quase dois anos de Kimi + Lotus fica reunida nesse bom humor, nessa boa lembrança das boas piadas, dos bons momentos de risada e a endorfina gratuita. Pequenos momentos míticos no rádio por exemplo. Onde mais teríamos tanta naturalidade para tratar uma frase bem dura com até piadas sobre? (Em qualquer outra equipe, teríamos uma polêmica mais comentada que os mamilos da Susana Vieira no Faustão!!)
Tivemos o MiniKimi, o lance do novo corte de cabelo (aquele moicano tenso rsrsrsrs), o “where’s kimi” nos testes de Silverstone – ligada a brincadeira com Roscoe... O lance dos pneus!!!! (Link aqui). Muita coisa legal!!! Digo com propriedade, porque me fazer rir é o que há de melhor nessa vida! Basta vocês procurarem nos marcadores “Para rir...” aqui no Octeto. Muita coisa desses dois últimos anos é dos queridos da Lotus! \o/
Kimi na Lotus foi então épico porque foi muito, muito feliz! Obrigada Lotus por isso; serei eternamente grata!
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Duas coisas para comentar de seu texto Manu, acho o Mario Sérgio Cortella um cara mega inteligente. Adorei que você usou uma citação dele no seu texto.
E a segunda, a sua última frase do texto foi perfeita, exatamente isto aí!!!! :)
Beijinhos, Ludy


Comentários
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"nessa boa lembrança das boas piadas, dos bons momentos de risada e a endorfina gratuita."
"Kimi na Lotus foi então épico porque foi muito, muito feliz!"
Beijos, Paula