Indicação do Octeto: sobre Rush

Não é exagero: “Rush” é o melhor filme já feito sobre F1

Lucas Berredo
03/09/2013

Após o sucesso do documentário Senna, a F1, enfim, retorna às telas do cinema com um longa original. O esperado Rush: No Limite da Emoção (Rush, 2013), de Ron Howard, revive a celebrada rivalidade entre Niki Lauda e James Hunt, focando-se primariamente nos episódios ocorridos no campeonato de 1976. Nem é necessário mencionar que o dramático confronto quase custou a vida do austríaco.

O leitor conhece o roteiro. Em linhas gerais, a trama, montada pelo competente Peter Morgan (Frost/Nixon e O Espião que Sabia Demais), confronta duas versões de heroísmo: de um lado, o temperamental bon vivant Hunt (Chris Hemsworth, de Thor e Os Vingadores), do outro, o estoico e sistemático Lauda (Daniel Bruhl, de Adeus Lenin e Bastardos Inglórios). A única coisa que conecta os dois é a incessante busca por vitórias – o inglês, de filosofia hedonista, e o austríaco, pragmático ao extremo.

A premissa até aí é boa, e de certa forma, comum, se você recorrer àquele padrão hollywoodiano do duelo “nerd x valentão”, tantas vezes usado nos anos 80. As coisas só começam a mudar quando Lauda sofre o acidente em Nurburgring e o filme ganha um tom mais triste e cru, aprofundando-se na relação pessoal entre os dois pilotos e captando um pouco do que era o paradoxo ambiente da F1 na década de 1970.

É importante ressaltar o respeito demonstrado por Howard e a produção de Rush à história da F1. Não apenas Lauda e Hunt foram retratados com incrível autenticidade, como personagens laterais no roteiro, a exemplo de Clay Regazzoni, companheiro do austríaco na Ferrari, Louis Stanley, dono da BRM, e Teddy Mayer e Alistair Caldwell, à época dirigentes da McLaren.

As cenas do acidente de Lauda e sua recuperação também foram brutalmente realistas, sem pieguice e diálogos melodramáticos. Fora o ótimo trabalho de maquiagem na reconstrução das queimaduras sofridas pelo austríaco no incêndio de Nurburgring, destaca-se o apuro técnico na fotografia de Anthony Dod Mantle – conhecido por seu ótimo trabalho com Lars von Trier em Dogville e Manderlay. Difícil não se impressionar com a primeira vez em que Marlene, mulher de Lauda, vê o rosto desfigurado do marido, ou a cena em que o piloto da Ferrari é submetido a um processo de retirada de sangue no pulmão. São cenas cruas, quase feias, mas compostas com imensa maestria e cautela por Mantle e necessárias ao desenvolvimento do roteiro.

O clímax do filme no GP do Japão, em Fuji, também merece destaque, não apenas pelas grandes cenas de ação, como a atenção dada ao ruído industrial dos motores dos anos 70 e da troca de marchas. Tudo descrito de forma meticulosa, totalmente fiel ao que ocorreu em outubro de 1976.

Entre os atores, Bruhl é certamente o destaque da película. Alemão de descendência espanhola – quase um simulacro de Lauda –, o protagonista de Edukators incorporou o sotaque e os maneirismos do piloto austríaco e sua atuação ficou tão fidedigna que o próprio tricampeão admitiu ter ficado “chocado” ao ver o filme pela primeira vez. Hemsworth, inicialmente estigmatizado por escolhas equivocadas na carreira – assista a Branca de Neve e o Caçador e entenda o porquê disso –, também não decepciona.

Por outro lado, é certo que fãs mais xiitas de automobilismo ficarão incomodados com alguns “enxertos” históricos. O primeiro deles já surge no início do filme, quando Lauda e Hunt são descritos como rivais na F3 Inglesa após se envolverem num acidente durante uma prova em Crystal Palace – algo que nunca aconteceu. Numa cena posterior, o austríaco faz jogo duro com a BRM e é visto exigindo um contrato de três anos após seu primeiro teste (!) pela equipe, quando na realidade, a opção foi oferecida pelo próprio Stanley ao piloto por suas boas exibições durante a temporada de 1973.

Alguns episódios reais nas vidas de Lauda e Hunt também foram suprimidos do filme e provavelmente ofereceriam material dramático interessante. O quase-suicídio de Lauda após ser dispensado da March em 1972. Ou o clamor público por Hunt no GP da Inglaterra de 1976, quando este foi desclassificado por receber ajuda dos mecânicos durante uma interrupção na corrida. Fatos decisivos na biografia dos dois que, talvez por motivo de espaço – o filme já é longo, com mais de duas horas –, não foram retratados em Rush.

Há ainda uma ou outra piada idiota no roteiro, como na cena em que Stanley descreve Regazzoni como um “piloto sênior” na F1 – o suíço só estava há três anos na categoria – ou no início do filme, em que Hunt chega ao hospital e se apresenta como “Hunt, James Hunt”, numa referência a 007. Contudo, verdade seja dita, tudo isso é compensado na cena da negociação entre Hunt e Teddy Mayer, da McLaren, onde um dos dirigentes sacaneia Emerson Fittipaldi (“Perdemos Fitti-fuckin’-paldi para a Coper-fuckin’-sucar”) e o piloto britânico corneta Jacky Ickx, que até então era cotado para assumir um dos carros Marlboro (“Vocês nunca vão ser campeões mundiais com Ickx”).

De qualquer forma, é necessário entender que Rush não é um documentário. Licenças dramáticas e edições são naturais ao cinema e, de certa forma, importantes para articular a trama central do filme. Não obstante, há cinebiografias inteiras – algumas premiadas, inclusive – que se basearam nisso, como Amadeus ou Carruagens de Fogo. Na mente de Morgan, talvez fosse importante conectar os destinos de Hunt e Lauda desde o início do longa e escolher alguns momentos mais decisivos de 1976 em detrimento de outros. 

Rush, sobretudo, não é um filme somente para fãs de automobilismo. O próprio Howard deixou claro que a F1 era apenas uma plataforma para desenvolver uma trama sobre rivalidade. E, sejamos francos, dado o roteiro falho de Le Mans e o fracasso de Bobby Deerfield, provavelmente o filme de 2013 é a maior produção cinematográfica sobre F1 na história. 

Alguns vão falar em Grand Prix, mas na mesma porção em que o longa de John Frankenheimer produziu as cenas mais espetaculares de automobilismo na história do cinema, também pecou por um argumento fraco e arrastado. Rush, por outro lado, se destaca pela qualidade dos diálogos, das atuações e da montagem das cenas. É uma bela história, contada de forma dinâmica e fidedigna quando necessário. Uma bela obra. 

FICHA TÉCNICA 
Rush: No Limite da Emoção 
"Rush”, Reino Unido/EUA, 2013 – 122 min. 
Direção: Ron Howard 
Roteiro: Peter Morgan 
Elenco: Daniel Bruhl, Chris Hemsworth, Alexandra Maria Lara, Olivia Wilde 
Previsão de estreia no Brasil: 13 de setembro

Fonte: Tazio

Putz!!!! Quem está mega ansioso como eu para ver "Rush" levante a mão aí!!!! \o/ \o/ \o/ 

Beijinhos, Ludy

Comentários

Micael disse…
Deve ser um filme F@$# to ancioso pra ver.
Manu disse…
Aqui \o/, aquiiiii \o/
rsrsrsrs...

=*
Manu disse…
Na boa, esse povo fica falando desse filme, e eu aqui, na agonia: é que nem contar dinheiro na frente dos pobres! ^^

=*
Carina disse…
\o/ James GATO Hunt... **comentario de menina** rsrs

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