"Calor, poeira e um pouco de gelo, por favor" por Lady Snowcat

Calor, poeira e um pouco de gelo, por favor
por LadySnowcat

A loucura vem em muitas formas, não menos do que em um capricho eu decidi pagar por uma viagem na época da Páscoa para alguns dos verdadeiros locais bíblicos no calor e na poeira da Jordânia. Oh, e havia um rali na mesma época. Eu não precisei pedir duas vezes, e nem tão cedo teria a possibilidade da viagem surgir então eu verifiquei os voos saindo de Heathrow e comecei a comprar um vestuário mais adequado do que as botas de neve e térmicas impostas para assistir o rali na Suécia.

Voar de uma Londres cinza e molhada para a luz do sol refrescante e quente de Amã não foi difícil. Os hotéis nos bancos do Mar Morto são novos e grandes, e na semana antes da Páscoa estavam lotados com o pessoal das equipes já que o Parque de Serviço está a apenas algumas jardas destes resorts.

Este Parque de Serviço era um contraste levemente estranho para o aeroporto gelado e nevado na Suécia, já que eles molharam a rocha, colocaram mais cascalho na superfície para manter a poeira baixa em uma área acima de uma estrada de mão-dupla. E estava quente...muito quente.

Mas, como na minha visita à Suécia, todo mundo foi charmosamente hospitaleiro. Parecia que tudo o que você precisa é entusiasmo e um sorriso e nada é muito difícil. E se a verdade for dita, seguir viagens para Abu Dhabi (quente), Malásia e Cingapura (úmido), Bahrein (muito, muito quente e empoeirado) e até mesmo queimaduras em Barcelona em algumas ocasiões, talvez o circuito da F-1 te prepare melhor para a Jordânia do que para a Suécia.

É ótimo ver o comportamento relaxado dos pilotos aqui. Ao esperar pelo shakedown eles fazem uma fila na estrada depois que a classe dos S2000 começa às 10 da manhã (os grandes nomes já estão se esforçando por um bom acerto desde às 8 da manhã e ainda estão testando mais coisas) e saem de seus carros e conversam uns com os outros enquanto esperam por sua vez. E sim, no caso de você estar imaginando, isto inclui um certo campeão de F1 também. Eles todos parecem um grupo bem sociável.

A TV não faz justiça ao cenário espetacular da Jordânia. Dois locais em particular permanecem na minha mente.

O primeiro, ao final do primeiro dia, bem abaixo do Monte Nebo (o local onde se enterrou Moisés) e uma curta caminhada no final da especial. Você encontra o seu caminho por sobre o solo cheio de pedras para um monte íngreme para encontrar uma vista panorâmica à luz da noite quente. O Mar Morto se perde na visão à distância e bem longe à esquerda um carro faz seu caminho por sobre os morros, linhas de poeira demarcando seu progresso conforme a topografia primeiro o esconde e então o revela e então o esconde novamente. Um progresso em zigue-zague em sua direção constrói a ansiedade conforme ele se aproxima cada vez mais. Apenas quando ele chega diretamente abaixo de sua posição, você pode ver que o progresso é nada, apenas uma suavidade sobre o terreno, e ele desliza na curva à direita lutando para ganhar aderência antes de se lançar em um pequeno morro em direção à chegada voadora bem a sua direita.

Você sente que você poderia ficar lá para sempre.

O segundo foi na feroz especial do longo vale da Jordânia. Você pega uma pista que atravessa uma planície e de repente encontra um número de outros SUVs estacionados, alguns parecendo um pouco precários, no limite de uma queda íngreme para o solo plano do vale. Este é um vale dividido e embora o lado da Jordânia seja uma descida inclinada, no lado de Israel penhascos brancos surgem de um mar de verde, que com uma inspeção mais de perto mostra-se como um carpete esfregado, árvores do tipo escovadas e arbustos. Desta vegetação uma lufada de poeira explode como um fusível queimando rapidamente, deixando um rastro de brita rosa em vez de fumaça. Relances ocasionais de cor brilhante ou reflexo prateado são os carros formando a luz na pista.

De repente está bem abaixo de você, negociando uma curva muito fechada, e cobrindo aqueles que escalaram o vale com uma nuvem de poeira. Depois ele está correndo novamente, torcendo e virando como uma gazela tentando balançar um guepardo em sua cola. Você assiste hipnotizado conforme os jorros de poeira mostram a pista sendo levada para um ponto distante à esquerda. Então você percebe que há outro jogador vindo da direita, e começa a adivinhar os tempos à distância que o carro anterior viajou antes do novo jogador chegar à especial.

A vista e os carros - sublimes.

Um sensação de déjà vu surge no início do dia final quando as táticas levam as equipes a trocar a ordem de largada para assegurar que o Sr. Loeb não saia primeiro. Em vez disto, seu colega da equipe Júnior, que certamente parece que deve vencer um Campeonato Mundial um dia, Sébastien (a maioria dos pilotos franceses decentes tem este nome?) Ogier acaba largando primeiro e com uma quantidade de penalidades. O elemento da controvérsia me faz pensar na F-1, não sei porquê!

Tentando me manter informada dos resultados via Blackberry e atenciosos comissários eu tenho a sensação normal de medo e ansiedade quando Kimster aparece. Um grande alívio ao final de cada especial navegada com sucesso e um brinde feliz quando ele termina em um honroso oitavo lugar neste rali difícil.

Então nós nos vemos, todos brevemente, na cerimônia de encerramento. Algo pequeno e caótico, mas também divertido. Altas comemorações para os três primeiros colocados mas, dos competidores do WRC, o grito mais alto é salvo para o estreante no grupo. Ele surge de seu carro no pódio com um riso forçado e, como algumas poucas vezes no passado, é saudado calorosamente e abraçado por um certo Sr. Jean Todt.


Enquanto isto as equipes seguem o protocolo da F1 e estão desmontando a pequena vila. As cerimônias continuam por várias classes e tipos de carros e os heróis locais ganham suas chances de aplauso. Gradualmente a multidão se dissipa e você pode olhar as batidas e arranhões na estrutura dos carros no Park Ferme. O rali é um negócio difícil mas agradabilíssimo.

No calor final da tarde uma figura loura magra e relaxada em um macacão de corrida azul escuro sorri com um adeus e pula os cabos de energia que sobraram, seguindo rumo à Turquia, e ao próximo capítulo de sua nova aventura.

Fonte: Sidepodcast.com/Agradecimento:Ladora (KRS Forum)/ Tradução: Ludy

Texto maravilhoso! Como é bom ler algo assim! Pessoas que escrevem como poesia! Esta jornalista é realmente fã de Kimi!!! hahahaha....

Para quem não leu o texto dela na Suécia, basta clicar aqui.

A foto de Jean Todt e Kimi não estava no original deste texto, publiquei para ilustrar.

Se tem uma única razão pela qual eu tenho gratidão por Jean Todt esta razão é o carinho e o respeito que ele teve e ainda tem por Kimi. Sempre me emociono quando os vejo juntos.

Beijinhos, Ice-Ludy

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