Nelsinho Piquet sobre Alonso e Massa

Post uma entrevista do N. Piquet que vi no Blog do Gomes.

Nelson Ângelo Piquet :''EU ERA JOVEM QUANDO ERREI. MASSA TEM NOVE ANOS NA F-1"

Depois de passar quase um ano no ostracismo, Nelson Ângelo Piquet, 25 anos, está de volta às pistas. Embora tenha participado de alguns torneios de kart e de stock car nos últimos meses, seu retorno oficial ao cockpit acontece no sábado 7. Ele correrá pela Nationwide Series, divisão de entrada da Nascar, principal categoria do automobilismo americano. A ideia é acumular experiência no segundo semestre para estrear em 2011 na Nascar Truck, principal divisão do esporte.

Protagonista de um dos maiores escândalos da F-1 – admitiu ter batido o carro para favorecer Fernando Alonso, seu colega na Renault em 2008 –, foi criticado por Felipe Massa quando o caso veio à tona. “Foi uma atitude muito feia. Jovem, errou”, disse Massa. No ano passado, os dois se encontraram num cartódromo em São Paulo e o ferrarista reagiu com frieza aos cumprimentos de Piquet. A saia-justa e o constrangimento ficaram evidentes. Piquet tinha tudo para saborear uma doce vingança ao ver Massa duramente criticado por seguir uma ordem da equipe e deixar o mesmo Alonso passá-lo no GP da Alemanha. Mas prefere analisar o contexto da F-1 hoje. “Qualquer um na posição dele teria de fazer o mesmo”, diz.


ISTOÉ -
O Brasil se desiludiu com você e com o Felipe Massa. Dá para comparar a sua situação em Cingapura (quando bateu para favorecer Fernando Alonso) com a do Massa na Alemanha (que deixou o piloto espanhol passar)?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Eu era um piloto novo, estava aprendendo e entrei em um time que era do (Fernando) Alonso. Ele tinha sido bicampeão pela Renault e o Flavio Briatore, diretor da equipe, era o melhor amigo dele. Ele tinha toda a atenção. Com o Massa foi diferente. O Massa chegou antes do Alonso, ele conhece a Ferrari há mais tempo e ainda tem o Jean Todt, hoje na Federação Internacional de Automobilismo (FIA), mas que ainda tem força dentro da Ferrari. E quantos anos o Massa tem na F-1? Nove anos? A situação dele é completamente diferente da minha.

ISTOÉ -
Diferente como?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Para ele, foi mais desagradável porque ele tem uma trajetória de vitórias e bons resultados, mas nessa temporada não vinha bem, apesar de ter um histórico na equipe pela qual compete. É chato ver alguém que chegou depois com a bola toda, como o Alonso, andando bem mais. E é isso que está acontecendo com o Massa.

ISTOÉ -
Essa é uma prática comum?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Um pouco. Uma equipe da F-1 investe centenas de milhões de dólares, ela não quer assumir o risco de perder por um motivo besta, como o capricho de um piloto. Tudo é levado em conta pela equipe, que toma uma decisão final e os pilotos acatam. Mas ninguém gosta de receber uma ordem como a que o Massa recebeu.

ISTOÉ -
A atitude de Massa o surpreendeu?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Ter deixado o Alonso passar não, mas a forma com que ele o deixou passar sim. Geralmente esse tipo de arranjo se faz de maneira mais sutil. No final de uma reta o piloto freia um pouco antes em uma curva, deixa o companheiro se aproximar e fazer a ultrapassagem. Tudo bem que em disputa pelo primeiro lugar fica mais difícil ser sutil, mas não precisava ser tão evidente. Aí o Massa me surpreendeu. Ele queria evidenciar o jogo de equipe da Ferrari para se mostrar, para causar um pouco de confusão. Porque a situação em si é normal. O código mais usado é o que a Ferrari usa, de que o companheiro está mais rápido que você. O Massa entendeu, mas queria deixar claro que, por ele, não haveria ultrapassagem. A Ferrari jamais vai perder a oportunidade de aproximar um de seus pilotos dos líderes do campeonato. Se o Massa não quer que isso aconteça, ele precisa aceitar que está mais lento e correr. Trabalhar para ficar mais rápido que o Alonso. Não tem outro jeito.

ISTOÉ -
Você se dava bem com o Massa quando corria na F-1?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Me dava bem tanto com ele quanto com o Rubens Barrichello. Os dois sempre me trataram muito bem, me davam dicas nos circuitos que eu conhecia menos, sentávamos os três juntos nas reuniões de pilotos. Era um clima gostoso.

ISTOÉ -
Mudou depois que o arranjo de Cingapura veio à tona?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Mudou bastante. O Massa ficou muito chateado comigo porque ele acha, até hoje, que perdeu o campeonato de 2008 por minha causa. Não adianta argumentar que ele quebrou o motor na Hungria, que ele e a Ferrari cometeram erros. Fora que também faltou sorte para ele, né? Pelo amor de Deus, aquela última volta em Interlagos foi pura sorte do (Lewis) Hamilton (que foi o campeão) e azar dele. Mas ele continua muito chateado. Eu entendo, mas não sofro mais tanto com isso. Nunca mais conversei com ele. A gente se cruza de vez em quando, mas não temos contato.

ISTOÉ -
Você entrou na Renault como segundo piloto? Estava no contrato?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Para ser bem honesto, não lembro de ter nenhuma claúsula desse tipo no contrato. Mas nas reuniões que antecedem os GPs sempre fica muito claro. A equipe estabelece um código que será usado para orientar um piloto a dar passagem ao outro, além de marcar os locais, geralmente dois, onde as ultrapassagens podem ser feitas. É o acordo de cavalheiros, é a palavra do piloto – não tem nada em contrato. Embora não conheça o contrato do Alonso e do Massa, acho muito difícil que haja uma cláusula como essa, até porque quando o campeonato começou o Massa estava em pé de igualdade com o Alonso. O máximo que tem por escrito é que os pilotos devem respeitar as ordens de equipe.

ISTOÉ -
Como fica a competitividade com o fato de haver o primeiro e o segundo piloto da F-1?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Não acho certo um piloto dar passagem para o outro, mas também não acho um absurdo. A F-1 é um esporte de equipe. Vamos inverter a situação: se fosse o Massa que estivesse melhor no campeonato, o Alonso teria que dar passagem e não haveria discussão. A gente pode até imaginar uma equipe com um só piloto, mas economicamente fica complicado. Ela teria que trabalhar com metade do orçamento, metade do pessoal, não sei se daria certo, apesar de ser, teoricamente, viável.

ISTOÉ -
Mas não fica evidente para o torcedor que existe jogo de equipe.

NELSON ÂNGELO PIQUET -
O torcedor ainda tem como referencial de competitividade da categoria a época do meu pai, que brigava com o Nigel Mansell dentro da mesma escuderia. A Williams estava cindida – eram dois times completamente separados dentro da equipe, com mecânicos e engenheiros que não se falavam. E o que aconteceu em 1986? Os dois perderam o campeonato para o Prost, da McLaren. A Williams tinha ganhado quase todas as corridas, mas o Prost, de pontinho em pontinho, acabou levando o título enquanto os dois brigavam. Hoje é evidente que o esporte se comercializou de um jeito que não permite mais esse tipo de brincadeira que pode custar o campeonato.

ISTOÉ -
A Ferrari é clara no jogo de equipe dela?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Não só ela, todas as equipes são.

ISTOÉ -
De onde vem tanto nacionalismo brasileiro em um esporte tão individual como a F-1?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
O brasileiro tem uma paixão muito grande pelo País. Quando você pode exibir o Brasil em um ambiente tão diferente como o da F-1, onde prevalecem os europeus, é natural que o torcedor se identifique mais com o piloto do que com a equipe. E para o piloto isso é importante. Eu posso dizer com conhecimento de causa: a Europa é um fim de mundo. Quem sai do Brasil para morar lá não come bem como aqui, não tem o clima, a praia, a família e os amigos. Então, não poder subir ao pódio representando o Brasil por causa de um acerto de equipe é tão frustrante para o piloto quanto para o torcedor. Poder levantar a bandeira é sensacional.

ISTOÉ -
Parte do problema está na forma como a F-1 é apresentada ao torcedor?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
É complicado apresentar a F-1 para o torcedor brasileiro. Ele está acostumado com o futebol, que todo mundo conhece mais. A F-1 é uma categoria mais restrita, fechada, cheia de boatos e segredos. Ela envolve muito, muito dinheiro, e poucas pessoas. É difícil passar essa complexidade para o torcedor. O (narrador) Galvão Bueno, por exemplo, faz o que pode, mas ele não é piloto. Quando o Luciano Burti, que foi piloto da categoria, comenta, as coisas ficam mais claras. Lógico, o Galvão é um narrador profissional, ele precisa falar para o povão e as pessoas estão acostumadas a ouvi-lo, mas muita coisa que ele diz não faz sentido. Ele adora dizer que fulano está pensando isso ou aquilo. É claro que ele não sabe o que passa na cabeça do fulano. Mas entendo o esforço para explicar a vida em um paddock chato como o de F-1.

ISTOÉ -
Como foi, para você, deixar a F-1 pela porta de trás?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Errei. Ninguém sonha em sair da F-1 como eu saí, mas aconteceu. Agora virei a página. Meu foco é a Nascar, apesar de a categoria nunca ter sido uma meta na minha carreira. Cheguei a receber propostas de equipes iniciantes para continuar na F-1 depois da confusão com a Renault, mas preferi vir para a Nascar. Tive minha experiência na categoria, tinha muitas expectativas, mas acabou. Hoje tenho claro na minha mente que quero ser o primeiro brasileiro a conquistar o título da Nascar nos Estados Unidos. Me arrependo do que fiz, mas não vivi uma decepção com a categoria. Me coloquei em situação difícil, entre um ditador (Flavio Briatore) e o Alonso, que tentam pintar como Dick Vigarista, mas é muito bom, muito rápido e muito esperto.

ISTOÉ -
Que tipo de esperteza?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Todas. Ele é esperto o suficiente para ser legal com você e ganhar sua confiança para depois, na corrida, não ajudá-lo. Trabalha com a equipe, está sempre antecipando as estratégias dos outros carros e é extremamente focado no que interessa para ele. Ele sempre quer mais, pede mais, corre atrás, enche o saco e, se tiver força na equipe, consegue tudo. Eu fazia o mesmo, mas era um piloto jovem e as pessoas não davam muita bola.

ISTOÉ -
Como é competir em uma categoria inferior à F-1?

NELSON ÂNGELO PIQUET -
Inferior é questão de ponto de vista. A Nascar movimenta US$ 11 bilhões por temporada, contra US$ 8 bilhões da F-1. Atrai um público muito maior que o da F-1. Tem disputas diferentes, mas em maior quantidade que a F-1. Mas na cultura brasileira a Nascar não existe. O Brasil não tem a cultura da Nascar. Mas vou mudar isso. Quero ser para a Nascar o que o Emerson Fittipaldi foi para a F-1.
(fonte: Istoé.com.br)

***

Entrevista bem interessante. Já falei muito sobre Nelsinho Piquet aqui no Octeto, já o defendi, já o critiquei, algumas vezes me arrependi outras não. Mas hoje não falarei dele, e sim sobre o que ele fala...

Como o mundo dá voltas, não?! Felipe apontou o dedo para o Piquetzinho, criticou duramente, o acusou de prejudicar o seu campeonato (exemplo básico de que o Massa não sabe assumir os próprios erros) e hoje vive um drama até pior. Não me lembro do Nelsinho ter sido acusado de "traidor da nação". Pois é ...

Nestes últimos dias, Piquetzinho até ganhou pontos comigo porque por mais que os jornalistas tentem, ele não fala mal do Alonso. Olha que tentam e desejam que ele fale... rs

Para mim o melhor da entrevista é a frase: "
Alonso, que tentam pintar como Dick Vigarista, mas é muito bom, muito rápido e muito esperto".

É exatamente isso. Preciso falar mais!???

Alonso é um homem como qualquer outro, cheio de defeitos e qualidades, o problema que atualmente só interessam aos outros, os defeitos do espanhol. Como diz Nelsinho... tentam pintá-lo no papel de Dick Vigarista de todas as formas.

Além do mais, o Fernando não tem obrigação de ser legalzinho e bonzinho com ninguém. Faz o seu trabalho com competência, sabe trabalhar em equipe, sabe conquistar as pessoas com sua dedicação e ajuda até onde acha que é necessário, ponto final. Quando os pilotos abaixam a viseira é cada um por si. Ser bonzinho demais com as pessoas não te leva a lugar nenhum... às vezes precisamos dizer NÂO, porque senão pisam na gente. Ou não é?!

Quem acompanha a vida e carreira do Alonso há anos (como eu) sabe melhor do que aqueles que assistem corrida só dia de domingo e que só tem como fonte de informação a mídia brasileira (ou inglesa), que o bicampeão é muito melhor do que dizem... muito melhor!!!

Claro, acredita quem quiser... como também só acreditou que Massa era um grande piloto quem quis. rs

Só não gosto que me julguem porque eu acredito e torço por Alonso. Eu sou Fernando Alonso, com defeitos e qualidades, ganhando ou perdendo... e até mesmo como piloto Ferrari!

Aposto que tem muitoooosss que pensam como eu... rs

Bjinhos, Tati

Comentários

Daniel disse…
Sinto muito mas pelo que eu vi a midia brasileira não atacou de modo algum o fernando alonso, na verdade atacaram muito mais o massa do que o espanhol.
E eles não mostraram nada alem do que a propria FOM mostrou no race edit deles mostrando que houve a ordem de equipe e que alonso pressionou a ferrari p/ eles darem a ordem.Nada inventado,fantasiado ou exagerado portanto nada alem da verdade que todos vimos. e concordo c/ vc quando abaixam a viseira deveria ser cada um por sí,mas neste caso foi o massa obrigado a ajudar o alonso,sendo assim não é cada um por sí e me assusta vendo você concordando c/ as atitudes do alonso.Mas fazer oq cada um tem sua visão e respeito a sua.
Oi Daniel...

Tudo bem!?

Bom.. não me refiro somente ao ocorrido na Alemanha. Falo de forma geral e muito antes do que aconteceu naquele GP. Desde sempre tratam Alonso como vilão, quer vc concorde ou não! hehe

Nossa!!!! rs Eu disse que concordo com as atitudes dele no meu texto??? hehe
Mas tb... a quais atitudes vc se refere?? O jogo de equipe?? Me mostra aonde eu disse que concordo com isso, por favor?! hehe
Me ajude!!!!

Te assustei?? Só porque disse que sou Alonso mesmo que ele tenha defeitos ou qualidades??? Ih!!! Vc deve ser novinho porque aqui então... hihihi

De qq forma Daniel, valeu por comentar!

bjinhos, Tati
Carol AA disse…
Tá aí! E não é que eu gostei da entrevista? Muito boa mesmo.

Massa não foi campeão em 2008 por conta de um problema no abastecimento no GP de Cingapura (apenas por isso) e este "problema" foi culpa da tramóia da Renault. Estou com muita pena. E não vai ter mais chance de ser campeão porque divide a equipe com o malvado do Alonso. Pobrecito...
Daniel disse…
A parte que vc fala que que ele não tem que ser bonzinho com ninguem juntamente c/ o texto falando sobre o incidente da alemanha me fez ver que vc concordava c/ o jogo de equipe.Mas de qualquer maneira me perdoe pq entendi errado,a parte de me assustar é que eu achei que vc concordava c/ esta atitude dele,mas como eu entendi errado vamos relevar isso....
pode dexar vou continuar comentando
Beijo
Oi Daniel!!

Tranquilo... hehehe

Eu gosto do Alonso, mas tb não concordo 100% com tudo que ele faz. Quer um exemplo? Não concordo com a escolha dele pela Ferrari. Aprendi a aceitar, mas não gosto... e vejo que tinha razão. rs

Mas é assim mesmo... hehe

Claro... volte sempre!! No Octeto o espaço é vcs!!!

Bjinhos, Tati
Oi Carol!!!!

Concordooooooo... o Massa perdeu a sua única chance em 2008. Pq agora com Alonso... hehehe Vai ser difícil!
Pobrecito (2) hehe

Bjusssss, Tati
Anônimo disse…
É verdade, Tati, há muitas pessoas que pensam como você - eu, por exemplo!!!hahahahha
Interessante esta entrevista, não? Por mais que o repórter, de todas as formas, tentou denegrir a imagem do Alonso, Piquet foi firme e forte em suas respostas, e não se deixou levar pelo ufanismo da mídia brasileira.
Agora, certos pilotos, principalmente os brasileiros, precisam reconhecer e a aprender com os seus erros, e fazer com que esses não ocorram novamente. Esse é um caminho difícil, mas alguns preferem ficar com o mais fácil, que consiste em achar culpados pelos seus fracassos...Por isso, Massa nunca será campeão, ainda mais com o Alonso na equipe!!...Probrecito(3)rsrsrs
Concordo com vc, Tati: nem tudo o que o Alonso faz eu concordo, especialmente esse ano, o qual decidiu correr pela Ferrari, que como consequência, terá que aturar uma pequema mala de mão sem alça por três temporadas!! rsrsrsrs Eu avisei...
Bjs
Juliana

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